Fobias estranhas são medos intensos de coisas que, para a maioria das pessoas, não assustam nada: buracos pequenos agrupados, botões, palhaços, queijo, a cor amarela. Parecem curiosidade de internet, mas muitas existem de verdade, e para quem as tem não há nada de engraçado. O Manual MSD registra mais de 500 fobias catalogadas, a maioria extremamente rara.
Para quem tem uma delas, o nome importa pouco. Uma fobia de botões e uma fobia de avião funcionam do mesmo jeito no cérebro e são tratadas da mesma forma. A seguir, as mais curiosas, as que são pura invenção e o que fazer quando um medo esquisito começa a atrapalhar.
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Quando um medo vira fobia
Ter medo ou nojo de algo é normal. Fala-se em fobia quando o medo é intenso e desproporcional ao perigo real, aparece praticamente toda vez que a pessoa encontra o objeto ou a situação (ou só de pensar neles) e leva a evitar, ou a suportar com grande sofrimento. Quem tem uma fobia costuma saber que o medo é exagerado, mas não consegue controlá-lo.
Por isso, o que define uma fobia não é o quanto o objeto é estranho, e sim o quanto o medo limita a vida. Se você tem pavor de cobras e mora no centro de uma grande cidade, talvez nem perceba. Se tem pavor de botões, cada vez que se veste é um problema. A explicação completa sobre os tipos e os sintomas está na página de hipnoterapia para fobias.
Fobias estranhas que existem de verdade
Os nomes técnicos costumam vir do grego ou do latim, e alguns são usados em artigos científicos; outros circulam mais em listas do que em consultórios. O que vale é o medo descrito.
Tripofobia: medo de buracos
Repulsa, nojo ou medo diante de padrões de pequenos buracos ou saliências agrupados, como favos de mel, sementes de lótus, esponjas e bolhas. A reação inclui arrepio, coceira, enjoo e vontade de desviar o olhar. Não está nos manuais como diagnóstico próprio, e a reação parece ter mais de nojo do que de medo. Uma das hipóteses é que esses padrões lembram, para o cérebro, sinais de animais perigosos ou de doenças de pele.
Nomofobia: medo de ficar sem celular
Ansiedade intensa diante da ideia de ficar sem o celular, sem bateria ou sem sinal. O nome vem do inglês “no mobile phobia”. Não é um diagnóstico formal, e na prática costuma estar ligado ao uso excessivo do aparelho. Se isso soa familiar, veja hipnoterapia para vício em celular.
Ergofobia: medo do trabalho
Medo intenso de trabalhar ou do ambiente de trabalho, que pode levar a faltas, atrasos e até a evitar procurar emprego. Raramente vem sozinho: costuma estar ligado a ansiedade social, medo de falhar, experiências ruins como assédio ou a um esgotamento profissional. Se o problema começou depois de um período de sobrecarga, leia sobre a síndrome de burnout.
Amaxofobia: medo de dirigir
Medo intenso de dirigir, que muitas vezes começa depois de um susto ou de um acidente, e às vezes aparece em quem tirou a carteira e nunca se sentiu seguro ao volante. É bem mais comum do que o nome sugere. Veja hipnoterapia para o medo de dirigir.
Coulrofobia: medo de palhaço
A maquiagem exagerada esconde a expressão verdadeira do rosto, e o cérebro tem dificuldade de ler as intenções de quem não consegue “decifrar”. Filmes de terror ajudaram a popularizar o medo, que é frequente em crianças e, em algumas pessoas, continua na vida adulta.
Emetofobia: medo de vomitar
Medo intenso de vomitar ou de ver alguém vomitando. Parece raro, mas é uma das fobias que mais limitam: a pessoa pode evitar comer fora, viajar, beber, ficar perto de quem está doente e até engravidar.
Koumpounofobia: medo de botões
Nojo ou medo de botões, principalmente de plástico e soltos. Quem tem prefere roupas com zíper ou de malha e evita tocar em botões de outras pessoas. É um bom exemplo de fobia rara que pode ter forte impacto no dia a dia.
Outras fobias curiosas
- Omfalofobia: medo ou aversão a umbigos, inclusive o próprio.
- Pogonofobia: medo de barba.
- Globofobia: medo de balões de festa, geralmente do barulho do estouro.
- Turofobia: medo de queijo, com nojo do cheiro e da textura.
- Xantofobia: medo da cor amarela.
- Triscaidecafobia: medo do número 13. A variação para a sexta-feira 13 se chama parascavedecatriafobia.
- Tafofobia: medo de ser enterrado vivo.
- Tanatofobia: medo intenso da morte ou de morrer.
- Nictofobia: medo do escuro, que vai além do desconforto comum.
- Autofobia ou monofobia: medo de ficar sozinho.
- Enoclofobia: medo de multidões.
- Fobofobia: medo de sentir medo, ou seja, de ter uma crise de ansiedade. É central em quem tem síndrome do pânico.
Fobias que foram inventadas
Algumas das “fobias mais estranhas do mundo” que aparecem em listas não existem como quadro real. Valem como curiosidade:
- Hipopotomonstrosesquipedaliofobia, a “fobia de palavras grandes”: o nome comprido é uma piada, criada justamente para assustar quem teria esse medo. Não aparece em manuais. O que existe de verdade é a ansiedade de ler em voz alta ou de errar palavras difíceis em público, que costuma estar ligada à ansiedade social ou a dificuldades de leitura.
- Anatidaefobia, o medo de estar sendo observado por um pato: nasceu numa tirinha de humor e nunca foi descrita como quadro clínico.
- Araquibutirofobia, o medo de a pasta de amendoim grudar no céu da boca: circula em listas há anos, mas não há registro de casos clínicos.
Isso não quer dizer que alguém não possa ter medo dessas coisas. Qualquer objeto ou situação pode virar alvo de uma fobia. Mas esses nomes foram criados por brincadeira, e não para descrever pessoas reais.
Por que surgem medos tão específicos
Uma fobia estranha costuma nascer pelos mesmos caminhos de qualquer outra: um susto ou uma experiência ruim com o objeto, ver alguém próximo reagindo com pavor, ou uma associação feita num momento de muita ansiedade, quando o cérebro “gruda” o medo no que estava por perto. Em algumas, como a tripofobia e a turofobia, o nojo pesa mais do que o medo. E a fobia se mantém porque a pessoa passa a evitar: cada fuga alivia na hora e confirma para o cérebro que aquilo era perigoso.
No consultório: as fobias pouco comuns que aparecem
As fobias são uma demanda constante no meu consultório, e muitas pessoas chegam por indicação de quem já tratou uma. Além das mais conhecidas, como medo de avião, de dirigir e de altura, aparecem com frequência medos que pouca gente imagina:
- Medo de ressonância magnética: o exame em um tubo fechado e barulhento faz muita gente desistir ou precisar de sedação. Costuma estar ligado à claustrofobia.
- Medo de vacina: uma forma do medo de agulha que leva a adiar vacinas e exames. Veja hipnoterapia para o medo de injeção.
- Medo de lagartixa: um bicho inofensivo que, para algumas pessoas, torna a própria casa um lugar de alerta. Entra entre as fobias de animais: veja hipnoterapia para o medo de animais.
- Medo de comer na frente de outras pessoas: não é bem uma fobia específica, e sim uma forma de ansiedade social, com medo de ser observado e julgado. Veja hipnoterapia para fobia social.
Fobia estranha tem tratamento?
Tem, e o tratamento é o mesmo das fobias mais comuns. Segundo o Manual MSD, a terapia de exposição, uma técnica da terapia cognitivo-comportamental em que a pessoa se aproxima aos poucos do que teme, é o tratamento de escolha para as fobias específicas, e a hipnose também é citada como útil para algumas pessoas. Medicamentos sozinhos têm pouco efeito nas fobias.
Na hipnoterapia, as duas coisas se juntam: a hipnose clínica ajuda a reduzir a reação do corpo e permite que a pessoa ensaie o encontro com o que teme, primeiro na imaginação e com calma, antes de enfrentá-lo de verdade. Vale procurar ajuda quando o medo faz você evitar algo importante, como exames, viagens, trabalho ou convívio, ou quando ocupa sua cabeça mesmo longe do objeto. Mais detalhes em hipnoterapia para fobias. E, se quiser entender o medo a fundo, escrevi o livro Coragem: Como Enfrentar o Medo e as Fobias.
Perguntas frequentes sobre fobias estranhas
Qual é a fobia mais estranha do mundo?
Não existe um ranking oficial. Entre as que existem de verdade, costumam ser lembradas a fobia de botões, de umbigo e de queijo. As que parecem mais absurdas, como o medo de ser observado por um pato, em geral foram inventadas por brincadeira.
Quantas fobias existem?
Não há um número fechado, porque qualquer objeto ou situação pode virar alvo de uma fobia. O Manual MSD fala em mais de 500 fobias catalogadas, a maioria extremamente rara.
Tripofobia é real?
A reação é real e bastante comum: muita gente sente desconforto diante de buracos agrupados. Mas a tripofobia não é reconhecida como diagnóstico próprio nos manuais, e a reação parece envolver mais nojo do que medo. Quando atrapalha a vida, é tratada como uma fobia específica.
Fobia de palavras grandes existe?
Como quadro clínico, não. O nome hipopotomonstrosesquipedaliofobia é uma piada. O que existe é a ansiedade de ler em voz alta ou de pronunciar palavras difíceis diante dos outros, ligada à ansiedade social.
Uma fobia estranha pode aparecer na vida adulta?
Pode. Muitas fobias começam na infância, mas algumas surgem depois de uma experiência ruim, de uma fase de muito estresse ou de uma crise de ansiedade que ficou associada a um objeto ou lugar.
A hipnoterapia pode ajudar com fobias estranhas?
Pode ajudar, porque uma fobia rara funciona como qualquer outra fobia específica. A hipnose clínica é usada junto com a exposição gradual para reduzir a reação do corpo e ensaiar o enfrentamento. Mas o resultado pode variar de pessoa para pessoa.


